Este post é bem longo….
Sábado de manhã… Arthur ainda na barriga se mexeu bastante e à s 8h começaram as contrações. Estavam bem desordenadas e com alguma dor. Fomos ao shopping para trazer brinquedos para o André. Eram presentes que o Arthur daria a ele assim que eles se conhecessem. Já no estacionamento, com a minha barriga gigantesca, um segurança ofereceu uma cadeira de rodas, que eu educadamente recusei. Enquanto o Edu estava na loja de brinquedos comprando a surpresa, eu e André fomos à livraria, onde ele ganhou dois livrinhos para ele. No shopping eu já andava em ritmo lento, respiração ofegante e o curioso é que eu percebia que as pessoas olhavam diferente pra mim… Será que eu estava demonstrando todo o meu desconforto? Acho que sim, porque pouco depois uma segurança perguntou se eu estava me sentindo bem…
Almoçamos em casa. Liguei para o meu irmão e disse que poderia precisar dele a qualquer momento para que ficasse com o André. Coloquei meus últimos pertences nas malas e deixei todas juntas. O Arthur estava chegando mesmo, eu já não duvidava mais disso. No meio da tarde as contrações já estavam intensas e ritmadas. Comecei a anotar o horário e a duração das contrações. O intervalo entre elas era de 6 a 8 minutos e duravam de 25 a 40 segundos, às vezes mais às vezes menos.
Já passava das 20h quando as contrações ainda meio desordenadas já estavam começando a me deixar louca. Tomei um remédio pra aliviar a dor e um banho bem demorado e quentinho pra tentar relaxar e ajudar a passar o tempo. A dor se amenizou por uns 20 minutos mas logo voltou com força total. A essa altura eu já estava achando que o Arthur ia nascer em casa. Edu fez um exame de toque e o colo ainda duro e fechado. Edu ligou para o meu sogro e pra minha cunhada. Como já era noite pra viajar, eles viriam na manhã seguinte. Ligou também para o meu médico e já o deixou de sobreaviso. Explicou algo sobre as contrações e caso não acontecesse nada antes, ficou previamente combinado que irÃamos nos encontrar no hospital à s 7:30h da manhã seguinte.
Eram 22h30, as contrações já estavam num nÃvel quase insuportável. Eu tentava achar uma posição confortável e revezava entre a cama e o sofá da sala, e ficava em pé, sentada ou deitada. Tudo para tentar levar o processo adiante, mas o tempo parecia não passar.
As contrações já vinham em intervalos menores do que 5 minutos e duravam cerca de 1 minuto. Fiquei boa parte do tempo deitada no sofá, no intervalo entre as contrações eu tentava relaxar, cochilar… A essa altura o Edu já tinha colocado o André pra dormir e ficou ao meu lado, me fazendo companhia.
Quase 1h da manhã de domingo, veio uma contração super forte, que durou 1 minuto. O curioso é que a freqüência ainda estava desordenada variando de 3 a uns 7 minutos. Às vezes vinham super fortes e outras vezes bem fraquinhas. E fui levando…
Passava um pouco das 2h quando tomei remédio outra vez. Ele levou quase uma hora pra fazer algum efeito e durou bem pouco, cerca de meia hora, mas já foi um alÃvio. Às 3h, tomei outro banho e meia hora depois lá estava eu já vestida pra sair, deitada novamente no sofá da sala. E por que o sofá ? Ele era mais mole que a cama e meu corpo se acomodava melhor…
Já estava exausta, querendo uma anestesia, uma cesárea, qualquer coisa que fizesse parar aquela dor e trouxesse meu filho pra mim. Edu também já estava pronto e preparou uma malinha para o André, com suco, leite, biscoitos, alguma roupa, escovinha de dentes… Comecei a ficar angustiada porque alguém tinha que ficar em casa com o André, não ia dar muito certo acordá-lo e levá-lo conosco para o hospital. Acho que ele ia chorar. E na hora do parto? Edu pensou em chamar o meu irmão pra ir pra maternidade nos encontrar lá. Achei melhor chamá-lo sim, mas pra ficar em casa, assim o André continuaria dormindo e tudo ficaria mais tranquilo, pra todos nós. Não sabÃamos quanto tempo ainda levar, aqui em casa o André tem toda a infra-estrutura. Edu concordou comigo.
Já eram 4h, ainda achei muito cedo pra ligar e acordar meu irmão e nem sei como, aguentei mais uns minutos. Quando já estava dando quase 5h, Edu fez mais um exame de toque e num misto de nervosismo e felicidade me disse pra irmos imediatamente pra maternidade, já estava com uns 7 cm de dilatação. Nem me deixou tomar outro banho. Ligou para o meu irmão e em menos de meia hora ele já estava aqui em casa. Fiquei bem mais tranquila, afinal o André ficaria bem. Meu irmão estava uma carinha de sono tadinho, mas percebi como ficou transtornado com a minha cara. Acho que nessa altura eu era capaz de bater em alguém *rs.
Entrar no carro foi difÃcil, mas pior ainda foi passar pelos buracos das ruas. Ainda bem que o hospital é bem próximo. Cerca de 15 ou 20 minutos já estarÃamos lá. O Edu andou bem devagar quando as contrações vinham, mas sabia que não poderia perder muito tempo. Só não chegamos antes porque ele errou o caminho hehehe.
Chegamos no hospital cerca de 6 da manhã e o médico de plantão tinha acabado de entrar num parto. Era necessário esperar por ele e o Edu achou melhor não ligar para o meu médico ainda. Nesse meio tempo mediram a minha pressão. Eu não quis esperar deitada na maca da sala do médico, deitar e levantar era uma árdua tarefa. Voltei pra sala de espera e entre uma contração e outra, já meio transtornada, dizia pro Edu que não ia dar tempo, que o meu médico não ia chegar a tempo e nas contrações eu me contorcia toda e gemia baixinho. Pensava comigo que esse esforço todo tinha que valer a pena, que eu tinha que conseguir ter o parto normal. Era só o que o me faltava ter mais de 20 horas de dor e passar por mais uma cesárea, sabe-se porque ainda pensei nisso… Por sorte, até que o tal parto foi rápido e o médico de plantão chegou. Lembro que sentar e deitar novamente naquela maca foi uma experiência bem dolorida, só consegui quando senti a segurança das mãos do Edu me apoiando. Assim que o médico me examinou, pediu que a enfermeira entrasse em contato com o meu médico com urgência. Arthur estava quase nascendo. A dilatação era quase total. Ele até brincou: o seu médico vai chegar rapididinho, a tempo de pegar o “nenê.” hehehe Fui colocada numa cadeira de rodas, deixamos as malas no quarto e imediatamente entrei na sala de cirurgia. Edu foi se paramentar pra assistir ao parto.
Pra adiantar já me deram uma analgesia, aliás, “santa” analgesia. Eram 6:50h e comecei a ver uma luz no fim do túnel, adeus dor… Muito rapidamente meu médico chegou. Já sob efeito da analgesia, ele rompeu a minha bolsa. Ainda restava um tiquinho de colo duro, o que foi resolvido com mais umas três contrações. Com a analgesia a gente perde a noção da força, então, o anestesista me ensinou como eu deveria agir. Eu deveria prender o ar no pulmão, bem cheio, e fazer força lá embaixo. Chegou a minha vez de participar e sempre que o médico solicitava, eu fazia o combinado, com direito a careta e tudo. Dessa vez eu tinha que conseguir. Ele também ajudava a gravidade empurrando o Arthur apertando a minha barriga. Foi tudo muito rápido, acho que umas cinco contrações e à s 7:29h o Arthur nasceu. Nossa, que felicidade ! Com cordão e tudo, colocaram-no sobre mim e eu chorei muito, o Arthur também. Eu consegui, nós conseguimos. Eu não estava amarrada, sentia minhas pernas, meu filho ali sobre mim. Bem vindo ao mundo meu querido !
Ele foi levado pra ser examinado, 2.900g, 47cm, Apgar 9-10. Enquanto isso, percebi que eu estava levando alguns pontos. Sim, a episiotomia foi necessária.
Quando o Arthur voltou, colocaram-no novamente sobre mim e num gesto involuntário ele colocou a sua mãozinha sobre o meu rosto. Foi maravilhoso sentir aquele carinho. Edu filmou tudo e na medida do possÃvel, fez algumas fotos.
Depois dos procedimentos todos, fomos todos juntos para quarto, cerca de 8h e pouco. Eu, Edu e Arthur. Logo pude tomar banho e tomar café da manhã. Pedi pro Edu ir pra casa ver o André. Meu primogênito passou o tempo todo dormindo, nem deu tempo de sentir nossa falta, graças a Deus. Meu irmão foi então para o hospital e ficou comigo, foi o primeiro a conhecer o Arthur. Umas duas horas depois chegaram o Edu com o André e minha cunhada, que tinha chegado de São Paulo. André, que em casa perguntou por mim, ficou absolutamente encantado com o irmãozinho que estava naquele berço de acrÃlico. Ficou cismado com o pé roxo de tinta carimbo usada na papelada do nascimento. Quis fazer carinho e como ele é meio estabanado, tÃnhamos que ficar de olho. André ganhou presentes do Arthur e ficou ainda mais feliz. Tudo isso perto da hora do almoço, Arthur tinha apenas algumas horas de vida. Pedi pro Edu levar o André pra almoçar em casa, eu também queria tentar descansar. As pessoas conversavam comigo e eu com muito sono, via tudo dobrado na minha frente.
Eu deitava de lado e ficava admirando meu menino, tão pequenino e fofo. Segurava o berço e cochilava.
A participação das mães no hospital é quase total, não tem moleza não hehehe. Um pouco mais tarde, uma enfermeira veio para acompanhar o primeiro banho do Arhur, que também seria no quarto. Perguntou se eu queria dar o banho, mas por estar um pouco tonta ainda, preferi que ela mesma desse e filmei tudo.
Preferi que o Edu passasse a noite com o André em casa. No hospital, sempre tinha alguém passando por lá pra me orientar e me ajudar no que fosse necessário, então não tive problemas em ficar sozinha com o Arthur. Aliás fui acordada tantas vezes ora pra tomar remédio, ora pra tentar dar o peito pra ele que eu até perdia a noção da hora, já estava há muito tempo sem dormir e senti muita fome. Contei os minutos pra que o café da manhã chegasse novamente *rs. Tinha um pão francês divino !
Meu sogro já estava em casa e pôde ajudar com o André para que o Edu passasse um tempo comigo.
O segundo banho do Arthur eu mesma dei, que gostosinho. Até que me lembrei dos detalhes direitinho. Ele demorou um pouco pra aprender a mamar, sugar direitinho no peito mesmo, só no dia seguinte, na segunda-feira. Além de preguiçoso, só queria saber de dormir. Nesse meio tempo ele tomou o meu colostro mesmo, só que extraÃdo por ordenha, que foi tranquila. Esse fato atrasou um pouco a nossa alta, das 14h para as 17h. Eu estava doida pra ir pra casa e ficar com o André também, mas o pediatra queria se assegurar que o Arthur sairÃa do hospital mamando.
Enfim, chegou a tão sonhada hora de irmos embora. Edu e André vieram nos buscar e embaixo de uma chuvinha fomos todos pra casa ! A famÃlia agora está completa !